O Planeamento e Controlo de Gestão num Centro Hospitalar – entrevista com Rita Malhado Pereira

Rita Malhado Pereira é atualmente a responsável pelo Serviço de Planeamento e Controlo de Gestão do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT). O seu percurso no CHMT iniciou-se em 2004, num estágio de nove meses no referido Serviço e no Serviço de Gestão da Qualidade.

Em 2005 é contratada pelo CHMT para estes dois Serviços, mas acaba por ficar só no Serviço de Gestão da Qualidade durante nove anos. Este período permitiu-lhe ficar a conhecer muito bem o funcionamento da Instituição, os processos e os circuitos.

Em 2015 passou para o Serviço de Planeamento e Controlo de Gestão, primeiro como controller e, passados dois anos, como Responsável do Serviço. “Aqui sinto-me como ‘peixe na água’. Os últimos sete anos têm sido muito gratificantes. Tenho trabalhado com pessoas excecionais neste Serviço! Temos desenvolvido os processos de controlo de gestão, mas ainda há muito para fazer”, diz-nos Rita Malhado Pereira.

Nesta entrevista, a responsável por este Serviço do CHMT explica-nos quais as funções e a importância do mesmo para o funcionamento do Centro Hospitalar.

1. Quais são as principais atividades desenvolvidas pelo planeamento e controlo de gestão?

O Serviço de Planeamento e Controlo de Gestão, em estreita articulação com o Conselho de Administração, prepara todo o processo de planeamento da atividade para cada ano, ou seja, a produção expectável e os níveis de desempenho esperados em termos de acesso, qualidade e eficiência. Conduzimos também o processo de negociação externa com a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) e procedemos à descentralização dos objetivos globais pelas demais áreas assistenciais – contratualização interna. Na sequência destes processos, há todo um trabalho contínuo de monitorização e reporte, quer para o exterior (avaliação da contratualização externa) quer para os vários Serviços (avaliação da contratualização interna). Avaliamos os desvios verificados face à atividade esperada e verbas orçamentadas e os desvios face a períodos homólogos.
Realizamos também estudos económico-financeiros e outras análises que nos sejam solicitadas, quer pelo Conselho de Administração, quer pelos demais Serviços Assistenciais ou mesmo por Organismos externos.

2. Em muitas instituições o Planeamento e Controlo de Gestão é visto como um serviço de estatística, quer contrariar essa visão?

Quero. Discordo totalmente dessa visão!
Aliás, a resposta à questão acima é esclarecedora! Um Serviço de Planeamento e Controlo de Gestão vai muito mais para além da emissão de relatórios e análises estatísticas.
Realizamos todo o processo de planeamento da produção para o Centro Hospitalar, em conjunto com o Conselho de Administração, naturalmente, e procedemos à monitorização, análise e reporte, quer interno, quer externo, para os Organismos da Tutela. Cabe-nos avaliar, por um lado, se a atividade assistencial está em convergência com os objetivos que a Tutela nos estabeleceu (Contrato-Programa) e, por outro, se responde ao volume e ao tipo de procura da população. O Planeamento e Controlo de Gestão é, desta forma, uma área de extrema importância no processo de tomada de decisão e na definição de todo o planeamento estratégico e operacional da Instituição.

3. Na área da saúde existem diversos sistemas de informação que são utlizados pelos profissionais e pelos serviços. Isso é uma força ou uma fraqueza?

Cada área, dentro do CHMT, tem as suas necessidades. O SClínico e o SONHO, por exemplo, têm uma função bem definida. São sistemas para registo/recolha e armazenamento de dados. Não são sistemas de informação para gestão porque, ter dados não implica ter informação. Para a gerir e tomar decisões as necessidades são outras. Por isso, necessariamente, têm de coexistir vários sistemas de informação.
O CHMT tem um sistema de informação para gestão muito bom, fiável, robusto e com muitas potencialidades, que nós, Planeamento e Controlo de Gestão utilizamos diariamente. É nossa intenção, a curto prazo, alargar o âmbito de utilização a todos os profissionais envolvidos no processo de decisão. Trata-se de uma solução de Business Intelligence, concebida especificamente para hospitais, que nos permite obter, com rapidez e simplicidade, informação completa, consolidada e credível.
O que me parece uma fraqueza nesta área é o facto de nem todos os hospitais do SNS terem já evoluído neste sentido. Também me faria sentido que a solução de informação para gestão fosse a mesma em todos os hospitais do SNS, garantindo, desta forma, uma uniformidade na informação apresentada pelas várias Entidades.

4. Números são números e estatísticas são estatísticas. Mas, os cuidados de saúde são prestados a pessoas. Em que medida os números e estatísticas podem ser uteis para prestar melhores cuidados de saúde a pessoas?

São os números que permitem mensurar e avaliar, quantitativa e qualitativamente, os resultados e a concretização das políticas e estratégias definidas. Assim, as pessoas são sempre o mais importante, ainda para mais nesta área da saúde, mas são os números que nos permitem também ser capazes de servir melhor os nossos utentes.

 

 

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